Houve um tempo em que funcionários públicos, tais como Fiscais de Tributos nos anos 60 e/ou Agentes de Fiscalização nos anos 80, eram nomeados por coronéis políticos. Porém, com a Constituição Federal de 1988, os tempos da promessa de abertura do Governo Collor e a vontade de muitos em fazer com que Mato Grosso entrasse numa nova fase, inspiraram alguns gestores fazendários a transformar a “velha Fazenda”, retirando o pó dos tempos da “Mesa de Rendas Estaduais”, na nova Secretaria de Estado de Fazenda.
O cargo de Agente de Administração Fazendária (AAF) foi um dos primeiros cargos da Secretaria de Estado de Fazenda do Estado de Mato Grosso (SEFAZ/MT) e, foi criado para atender à necessidade de recursos humanos necessários ao controle dos sistemas de fiscalização, arrecadação e informações econômico-fiscais nas atividades conferidas às antigas Exatorias Estaduais, substituídas hoje, pelas Agências Fazendárias (AGENFA). Foram assim, empossados 386 Agentes por meio de concurso público de provas e títulos, a partir da publicação da Lei nº 6.196, de 29 de março de 1993, na área de arrecadação da SEFAZ/MT.
Anteriormente, os servidores fazendários eram compostos por Fiscais de Tributos Estaduais (FTE), que eram os únicos integrantes do Grupo de Tributação, Arrecadação e Fiscalização (GTAF); pelos Agentes de Arrecadação de Tributos Estaduais (AATE), também conhecidos por Exatores, e pelos Agentes de Fiscalização e Arrecadação (AFA) que depois, por conveniência política também ingressaram no GTAF.
A Lei 6.196/1993 criou agências de arrecadação onde não havia, e, criou cargos para substituírem os AATE, que foram chamados à Cuiabá e, posteriormente, transformados em Agentes de Tributos Estaduais (ATE).
O que caracteriza essas carreiras, grosso modo, é o apadrinhamento de um AATE e de um AFA, o primeiro como resquício dos anos 70 e o segundo dos anos 80. De qualquer forma, nos anos 2000, ambos foram extintos e reaproveitados numa nova carreira, com ingresso por concurso público e com nível superior, ao cargo de Agente de Tributos Estaduais (ATE). Então, atualmente, o GTAF é composto por FTE e ATE.
Em 1994 houve uma proposta da Assembléia Legislativa em elevar o salário dos AAF para R$ 1,8mil. Entretanto, essa iniciativa serviu de bandeira para alguns membros do GTAF reativarem seus sindicatos, negociarem com o governo e vetarem o projeto. Apontavam estes sindicatos que os Agentes Fazendários estavam em estágio probatório ao passo que eles eram "especialistas" e mereciam bem mais esse aumento (resumiram com a seguinte frase: “Os AAF querem criar um verdadeiro trem-da-alegria”).
A administração fazendária melhorou a relação com seus contribuintes inicialmente com os novos servidores fazendários (os AAF) e, depois, com o próprio esforço de capacitação dos Agentes Fazendários. Quando os gestores fazendários negaram cursos de especialização implicitamente aos AAF, estes desembolsaram os valores necessários. Quando os gestores fazendários negaram benefícios salariais, os agentes fazendários agüentaram em seus postos.
Assim, os Agentes de Administração Fazendária (AAF), substituíram os ATE nas Agenfas , mas, por entendimento da gestão fazendária a sua remuneração fixou-se em R$ 480,00 (quatrocentos e oitenta reais), ou seja, 10% da remuneração de um integrante do GTAF e durante sete anos foram remunerados com esse valor. Nesse tempo sugestões não foram acatadas, críticas não foram aceitas, denúncias não prosperaram, agentes foram punidos, outros demitidos. O que estava por trás disso? Talvez devido aos AAF´s estarem atuando no Interior e lidarem diretamente com contribuintes foram desconsiderados pela Administração . O fato é que nesse período quando surgiu a “Máfia do Fisco I” e a “Máfia do Fisco II” nenhum Agente de Administração Fazendária esteve envolvido.
Durante a campanha salarial de 1994, os AAF´s não conseguiram corrigir a sua distorção salarial, mas o GTAF conseguiu bem mais que os 300% pretendidos pelos AAF´s, conseguiram 698%. Após essa campanha vitoriosa, alguns membros do GTAF tornaram-se políticos na planície cuiabana e, depois, investigados pelo Ministério Público por conta de ligação com as Máfias do Fisco. Ao final dos anos 90 ficou claro que os Agentes Fazendários estavam numa longa e dura caminhada, mas, dado a dramaticidade do cenário político não havia opções a seguir que não o caminho do Judiciário.
O Sindicato dos Agentes de Administração Fazendária do Estado de Mato Grosso (SAAFEMT) foi criado e tentou-se uma negociação com os gestores fazendários. A negociação durou quase dois anos, sem efeitos práticos. Deflagrou-se uma greve que durou semanas, sem efeitos práticos. Então, o SAAFEMT ingressou com uma ação judicial em 1996 que se desdobrou em duas, isonomia e reajuste.
A ação do reajuste de 698% foi vencida em 2000. Após curto tempo no Supremo o processo retornou, como não foi implantada, foi transformada em precatórios. Posteriormente , em 2007, esses papéis foram brevemente liberados e, então, suspenso novamente. A ação de isonomia funcional foi vencida em 2001, mas, por vias nebulosas, tal qual o processo de reajuste, não foi implantada, tendo também gerado precatórios.